quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Que futuro para Haiti?



Que futuro para o Haiti?
O Haiti é um país muito brilhante com uma grande variedade de recursos naturais, artes e uma cultura diversificada. Infelizmente, o Haiti não é conhecido por essas características, mas sim pela pobreza que as mídias do mundo insistentemente fazem questão de divulgar. O que é absolutamente falso.
Segundo as últimas descobertas feitas, o Haiti é o país mais rico do mundo em irídio e com grandes reservas de petróleo. Infelizmente, o Haiti não pode extrair essas riquezas. É sempre o outro, como era no início, que se beneficia dessas riquezas.
Cada país com seus próprios problemas. Haiti como um país, também tem os seus. A raiz profunda desses problemas é sócio-política, estrutural e imperialista, justificada por interesses. Esses problemas são agravados pelo maldito e devastador terremoto de 12 de janeiro de 2010.
O Haiti sempre foi lugar de interesses: políticos, econômicos e estratégicos. Além de ser um lugar de interesses, é privado de sua autonomia política e econômica. As decisões sempre vêm do exterior. Há sempre justificativas ideológicas. Isto não é uma forma de opressão moderna?
Haiti, todo ao longo de sua história democrática, tem trazido uma freqüente instabilidade política e crises repetidas, que nunca parecem ser resolvidas.  A Comunidade Internacional se vê sempre no "vai e vem" em tentativa de ajudar a resolver as crises. Quando uma crise está resolvida, surgem outras. Pode-se perguntar: será que há algum interesse por trás dessas crises?
Em 2004, ano celebrativo do bicentenário, foi provocado pela saída forçada no poder, o ex-padre salesiano Dr. Jean-Bertrand Aristide. E logo, Haiti se vê ocupado militarmente pela ONU, chefiado pelo Brasil. Assim, o mar, a terra e o céu do Haiti, todos ocupados militarmente. O que é isso?  Isso não é uma ocupação militar que permanece até hoje?
 Que futuro para Haiti com um povo que sofre? Um país que passa por tantas dificuldades políticas e tragédias; dominação e exploração. Por falar de tragédias, entre as que já aconteceram no Haiti, a mais violenta, foi a do 12 de janeiro de 2010, marcada pelo terrível terremoto, causando milhões de vítimas deixando suas eternas marcas que agravaram a  situação do país e dos haitianos. Assim, milhões saíram em busca de abrigos. Um dos lugares que muitos deles se encontraram, é no Brasil, sendo São Paulo, o lugar do sonho deles.
Dois anos após terremoto, o que tem feito?  Nem sei. O que sei é que se escuta pela TV quanto no rádio certas doações em milhão e bilhão, destinadas a Haiti para a sua recuperação. Sendo assim, no Haiti, dinheiro não falta, porém o que falta é a vontade, tanto Nacional como Internacional. Diante desse contexto, penso: enquanto os políticos haitianos, sendo muitos deles os verdadeiros problemas do país, não se entenderem, o Haiti não será reconstruído. Reconstruir o Haiti não é só reconstruir as casas afetadas. Mas sim, vida para todos, começando pela base, onde a dignidade humana seja respeitada. Onde não haverá desigualdade social e lutas sociais. Onde haverá uma estabilidade política, etc. Desse modo, podemos dizer que Haiti está sendo reconstruído.
Enfim, futuro para Haiti, tem. Basta uma libertação política e econômica. Isto significa que Haiti tomará conta de sua autonomia política, e, além disso, serão necessárias, a reconciliação nacional e a ativação do Exército para manter o controle sobre o território nacional. E, por fim, uma infra-estrutura bem equilibrada, onde haverá ordem, disciplina e princípios estabelecidos. O futuro do Haiti, pois, depende de cada haitiano e os homens de bons corações do planeta. O forte ajudando o fraco, é assim, pois, que construiremos a humanidade, o jardim de Deus.
 A esperança de um povo nunca se acaba. Apesar de dores e de sofrimentos, a esperança não se perde. Assim, o povo haitiano vive mantendo sua esperança em alguém que possa libertá-lo dessa estrutura sócio-política e econômica, vista como pecado social que gera sofrimento. 
Pierre Dieucel

Que futuro para Haiti?


Que futuro para o Haiti?
O Haiti é um país muito brilhante com uma grande variedade de recursos naturais, artes e uma cultura diversificada. Infelizmente, o Haiti não é conhecido por essas características, mas sim pela pobreza que as mídias do mundo insistentemente fazem questão de divulgar. O que é absolutamente falso.
Segundo as últimas descobertas feitas, o Haiti é o país mais rico do mundo em irídio e com grandes reservas de petróleo. Infelizmente, o Haiti não pode extrair essas riquezas. É sempre o outro, como era no início, que se beneficia dessas riquezas.
Cada país com seus próprios problemas. Haiti como um país, também tem os seus. A raiz profunda desses problemas é sócio-política, estrutural e imperialista, justificada por interesses. Esses problemas são agravados pelo maldito e devastador terremoto de 12 de janeiro de 2010.
O Haiti sempre foi lugar de interesses: políticos, econômicos e estratégicos. Além de ser um lugar de interesses, é privado de sua autonomia política e econômica. As decisões sempre vêm do exterior. Há sempre justificativas ideológicas. Isto não é uma forma de opressão moderna?
Haiti, todo ao longo de sua história democrática, tem trazido uma freqüente instabilidade política e crises repetidas, que nunca parecem ser resolvidas.  A Comunidade Internacional se vê sempre no "vai e vem" em tentativa de ajudar a resolver as crises. Quando uma crise está resolvida, surgem outras. Pode-se perguntar: será que há algum interesse por trás dessas crises?
Em 2004, ano celebrativo do bicentenário, foi provocado pela saída forçada no poder, o ex-padre salesiano Dr. Jean-Bertrand Aristide. E logo, Haiti se vê ocupado militarmente pela ONU, chefiado pelo Brasil. Assim, o mar, a terra e o céu do Haiti, todos ocupados militarmente. O que é isso?  Isso não é uma ocupação militar que permanece até hoje?
 Que futuro para Haiti com um povo que sofre? Um país que passa por tantas dificuldades políticas e tragédias; dominação e exploração. Por falar de tragédias, entre as que já aconteceram no Haiti, a mais violenta, foi a do 12 de janeiro de 2010, marcada pelo terrível terremoto, causando milhões de vítimas deixando suas eternas marcas que agravaram a  situação do país e dos haitianos. Assim, milhões saíram em busca de abrigos. Um dos lugares que muitos deles se encontraram, é no Brasil, sendo São Paulo, o lugar do sonho deles.
Dois anos após terremoto, o que tem feito?  Nem sei. O que sei é que se escuta pela TV quanto no rádio certas doações em milhão e bilhão, destinadas a Haiti para a sua recuperação. Sendo assim, no Haiti, dinheiro não falta, porém o que falta é a vontade, tanto Nacional como Internacional. Diante desse contexto, penso: enquanto os políticos haitianos, sendo muitos deles os verdadeiros problemas do país, não se entenderem, o Haiti não será reconstruído. Reconstruir o Haiti não é só reconstruir as casas afetadas. Mas sim, vida para todos, começando pela base, onde a dignidade humana seja respeitada. Onde não haverá desigualdade social e lutas sociais. Onde haverá uma estabilidade política, etc. Desse modo, podemos dizer que Haiti está sendo reconstruído.
Enfim, futuro para Haiti, tem. Basta uma libertação política e econômica. Isto significa que Haiti tomará conta de sua autonomia política, e, além disso, serão necessárias, a reconciliação nacional e a ativação do Exército para manter o controle sobre o território nacional. E, por fim, uma infra-estrutura bem equilibrada, onde haverá ordem, disciplina e princípios estabelecidos. O futuro do Haiti, pois, depende de cada haitiano e os homens de bons corações do planeta. O forte ajudando o fraco, é assim, pois, que construiremos a humanidade, o jardim de Deus.
 A esperança de um povo nunca se acaba. Apesar de dores e de sofrimentos, a esperança não se perde. Assim, o povo haitiano vive mantendo sua esperança em alguém que possa libertá-lo dessa estrutura sócio-política e econômica, vista como pecado social que gera sofrimento. 
Pierre Dieucel

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CONTEXTO DAS MIGRAÇÕES HOJE


CONTEXTO DAS MIGRAÇÕES HOJE
Hoje o vasto fenômeno migratório constitui, cada vez mais, um importante componente da interdependência  crescente entre Estados e Nações que concorrem para definir o evento da globalização; esta abriu os mercados mas não as fronteiras, derrubou os limites para a livre circulação da informação e dos capitais, mas não, na mesma medida, para a livre circulação das pessoas.
No entanto,  as migrações atuais constituem o maior movimento de pessoas de todos os tempos, envolvendo mais de 250 milhões de seres humanos.
Nestas últimas décadas, tal fenômeno se transformou em realidade estrutural da sociedade contemporânea e constitui um desafio cada vez mais complexo do ponto de vista social, cultural, político, religioso, econômico e pastoral…
1-CONTRADIÇÕES DO COTIDIANO -Enquanto se  afirmam ao mesmo tempo se faz o contrário
1-Enquanto que os EUA afirmam ser uma democracia e defender os DDHH, ao mesmo tempo invadem povos e fazem guerra a todos os inimigos dos  interesses Norte Americanos.
2-Enquanto que a União Européia afirma ser o berço da civilização, ao mesmo tempo  declaram a guerra contra os migrantes e refugiados que chegam nos seus territórios. (Diretiva do retorno ou da vergonha como foi definida pelos Países da América Latina)
3-Enquanto que a OTAM envia tropas e bombardeia os povos vizinhos, ao mesmo tempo não permite a entrada dos milhões de refugiados que ela mesma causou.
4-Enquanto que o Governo Brasileiro divulga uma imagem positiva no exterior afirmando que acolheria refugiados climáticos, ao mesmo tempo não aceita mais que um número limitado.
5-Enquanto que realiza uma anistia ampla e humana ao mesmo tempo complica e dificulta o máximo sua renovação.
6-Enquanto que as grandes Empresas, ONGs, Organismos Internacionais  afirmam defender o meio ambiente  e ter responsabilidade social, defender os direitos humanos ao mesmo tempo destroem o ambiente inteiro e exploram seus trabalhadores e violam todo tipo de diereito.
7-Enquanto que o sistema capitalista afirma estar a serviço da produção de alimentos  ao mesmo tempo acelera a produção de armas e impõe o consumismo sem limites.
8-Enquanto que os mercados afirmam serem livres para atuar  ao mesmo tempo não assumem nenhuma responsabilidade com as milhões de vítimas que causam com a exploração do trabalho e com os lucros injustos do universo  financeiro.
9-Enquanto que os políticos afirmam que representam o povo, ao mesmo tempo legislam a causa própria e continuam sendo um péssimo exemplo para a juventude (Projetos de aumento do próprio salário em relação ao salário dos trabalhadores (as) e as aposentadorias milionárias, em relação as aposentadorias de fome dos idosos e trabalhadores. (Ex. Pref. De um Estado em 30 segundos aprovou o salários dos vereadores em 100%)
10-Enquanto que a maioria dos Governos do mundo falam em crescimento, ao mesmo tempo negam o desenvolvimento sustentável  e justo para todos
11-Enquanto Igrejas e Religiões anunciam o Reino da justiça e da paz, ao mesmo tempo constroem Reinos pessoais e se alimentam do sangue e do suor dos fiéis.
12-Enquanto que a tecnologia, a informática e a genética diz que está a serviço da vida, ao mesmo tempo é usada para controlar, matar e destruir a natureza com todas suas formas de existência.
13- Enquanto que a grande mídia afirma ser imparcial, ao mesmo tempo explora o sensacionalismo e a desgraça, o sofrimento e o negativo da vida, dos fatos e da natureza.
14- Enquanto autoridades afirmam ser garantia de segurança e da ordem, ao mesmo tempo abusam do poder para subornar e explorar migrantes e trabalhadores.
15- Enfim, enquanto afirmamos que somos acolhedores e não temos preconceitos, ao mesmo tempo somos xenófobos e temos medo de nos relacionar com o diferente e dificilmente somos solidários para com os últimos que chegam. (Bulling, sites, violência, incapacidade de diálogo com as diferenças, atropelos de todo tipo)
Enquanto que antes os migrantes chegavam como verdadeiros heróis para construir a América e  tinham nome e endereço, hoje são chamados de  terroristas, traficantes, extra-comunitários, invasores, competidores, ilegais, escravos,  clandestinos, sazonal, temporário  e muitos vivem na rua ou permanentemente no caminho, enfim são vistos como os culpados da crise e dos problemas sociais.  A prova está na forma como se fala e se atua.
Diante de tanta loucura humana a natureza também enloquece nas suas formas de se expressar e se torna violenta contra todo tipo de vida existente sobre ela. (Vejam as mudanças climáticas).
2-EXPRESSÕES XENÓFOBAS, RESULTADO DA ESTUPIDEZ HUMANA
Ex: Nordestino não é gente, faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado  (Est. De direito da USP)
Dêem direito de voto para os nordestinos e afundem o País de quem trabalha pra sustentar os vagabundos que fazem filhos prá ganhar bolsa família.
Volta prá tua terra boliviano que o Brasil é para os brasileiros.
Morte aos médicos formados na Bolívia
São Paulo para os paulistas.
Eles sujam as cidades. Eles tiram o trabalho dos Brasileiros, Eles trazem doenças, Eles são sujos. Eles são culpados da crise em que vivemos. Eles são traficantes, terroristas e violentos...e nós que somos e o que fazemos?
Eles riem de mim porque sou diferente, eu dou risada deles porque são todos iguais.
3-CAUSAS DAS MIGRAÇÕES FORÇADAS
O Econômico (Concentração do capital e da riqueza produzida em base a exclusão das pessoas e dos resultados  da produção e das riquezas – pobreza, miséria, doença, abandono...
O Político (Guerras, ditaduras – causando milhões de refugiados)
O Ecológico ou Climático (reação violenta como resposta da violência humana contra o mesmo)
O sonho e a utopia (Todo ser humano é vocacionado para a superação e para ir sempre além)
3-CONSEQUENCIAS DAS MIGRAÇÕES FORÇADAS DE ALGUMA FORMA
NEGATIVAS
A  Xenofobia, o Racismo, a rejeição, o medo, o abandono
A droga, a violência  e todo tipo de exagero pessoal e familiar
A desintegração e traumas  familiares e pessoais
A  falta de comunicação, o isolamento pelo  idioma...
A exploração do corpo e do trabalho e as precárias condições nos ambientes de trabalho
O tráfico de humanos e falta de política públicas e sociais de inclusão
Clandestinidade e o atendimento desumano dos agentes sociais e autoridades pública e religiosas.
Igrejas fechadas aos imigrantes, ao diferente. Muros e fronteiras físicas, culturais e políticas
POSITIVA
Identidade fortalecida e enriquecida pela dinâmica da integração nos Países de destino.
Crescimento e desenvolvimento pelo trabalho e talento
Remessas e desenvolvimento nos locais de origem
Riqueza e beleza cultural nas suas diferentes expressões
Solidariedade e acolhida das pessoas, sociedade, Instituições, Igrejas...
Realização dos sonhos dos migrantes
A organização e participação dos próprios migrantes

VIDEO “MISSÃO NA ECOLOGIA”

4-RESPOSTAS DA PASTORAL DO MIGRANTE  DA IGREJA CATÓLICA
Acolhida e assistência imediata
Cultura (Fortalecimento cultural e integração)
Fé (Acolhida, festa e celebração)
Justiça (Mediação, orientação e defesa dos DD.HH, denuncia das causas injustas da migração forçadas)
Incidência Política (humanização das leis de migrações e luta por políticas publicas e de integração para a cidadania plena e universal)
“TODO VEZ QUE O MIGRANTE SE MOVE ELE MOVE A HISTORIA”
PERGUNTAS
1-Como superar as ações sociais, atitudes assistencialistas e a mentalidade de segurança nacional,  com a construção de políticas públicas e de migrações?
2-Como fazer leis migratórias em base aos Direitos Humanos Universais superando os limites das Soberanias e nacionalismos?
3-Como trabalhar numa ação integradora entre as dimensões:  legal, o cultural e o existencial,?
4-Como cuidar e se relacionar com o ser humano independentemente da situação de clandestinidade, de informalidade, ou de sua condição de migrante?
5-Como trabalhar numa ação coordenada, articulada e integrada entre os níveis: local, nacional e regional num atuar local porém com um pensar global?
6-Como alimentar o sonho e a utopia do migrante para que continue caminhando?
7-Como trabalhar pelas as grandes causas comuns, políticas, religiosas, culturais, sociais e ecológicas superando os interesses pequenos, pessoais e mesquinhos (guerra, corrupção, armas tráficos, exploração, consumismo...)
8-Quando os Sindicatos, Organismos Internacionais e Instituições vão contemplar em suas agendas o imenso número dos trabalhadores informais (Nacionais e Internacionais)?

São Paulo, 13 de junho de 2011
 Pe.  Mário Geremia CS
Coordenador do CPM-
 Centro Pastoral do Migrante





  



Hoje o vasto fenômeno migratório constitui, cada vez mais, um importante componente da interdependência  crescente entre Estados e Nações que concorrem para definir o evento da globalização; esta abriu os mercados mas não as fronteiras, derrubou os limites para a livre circulação da informação e dos capitais, mas não, na mesma medida, para a livre circulação das pessoas.

No entanto,  as migrações atuais constituem o maior movimento de pessoas de todos os tempos, envolvendo mais de 250 milhões de seres humanos.

Nestas últimas décadas, tal fenômeno se transformou em realidade estrutural da sociedade contemporânea e constitui um desafio cada vez mais complexo do ponto de vista social, cultural, político, religioso, econômico e pastoral…

1-CONTRADIÇÕES DO COTIDIANO -Enquanto se  afirmam ao mesmo tempo se faz o contrário

1-Enquanto que os EUA afirmam ser uma democracia e defender os DDHH, ao mesmo tempo invadem povos e fazem guerra a todos os inimigos dos  interesses Norte Americanos.

2-Enquanto que a União Européia afirma ser o berço da civilização, ao mesmo tempo  declaram a guerra contra os migrantes e refugiados que chegam nos seus territórios. (Diretiva do retorno ou da vergonha como foi definida pelos Países da América Latina)

3-Enquanto que a OTAM envia tropas e bombardeia os povos vizinhos, ao mesmo tempo não permite a entrada dos milhões de refugiados que ela mesma causou.

4-Enquanto que o Governo Brasileiro divulga uma imagem positiva no exterior afirmando que acolheria refugiados climáticos, ao mesmo tempo não aceita mais que um número limitado.

5-Enquanto que realiza uma anistia ampla e humana ao mesmo tempo complica e dificulta o máximo sua renovação.

6-Enquanto que as grandes Empresas, ONGs, Organismos Internacionais  afirmam defender o meio ambiente  e ter responsabilidade social, defender os direitos humanos ao mesmo tempo destroem o ambiente inteiro e exploram seus trabalhadores e violam todo tipo de diereito.

7-Enquanto que o sistema capitalista afirma estar a serviço da produção de alimentos  ao mesmo tempo acelera a produção de armas e impõe o consumismo sem limites.

8-Enquanto que os mercados afirmam serem livres para atuar  ao mesmo tempo não assumem nenhuma responsabilidade com as milhões de vítimas que causam com a exploração do trabalho e com os lucros injustos do universo  financeiro.

9-Enquanto que os políticos afirmam que representam o povo, ao mesmo tempo legislam a causa própria e continuam sendo um péssimo exemplo para a juventude (Projetos de aumento do próprio salário em relação ao salário dos trabalhadores (as) e as aposentadorias milionárias, em relação as aposentadorias de fome dos idosos e trabalhadores. (Ex. Pref. De um Estado em 30 segundos aprovou o salários dos vereadores em 100%)

10-Enquanto que a maioria dos Governos do mundo falam em crescimento, ao mesmo tempo negam o desenvolvimento sustentável  e justo para todos

11-Enquanto Igrejas e Religiões anunciam o Reino da justiça e da paz, ao mesmo tempo constroem Reinos pessoais e se alimentam do sangue e do suor dos fiéis.

12-Enquanto que a tecnologia, a informática e a genética diz que está a serviço da vida, ao mesmo tempo é usada para controlar, matar e destruir a natureza com todas suas formas de existência.

13- Enquanto que a grande mídia afirma ser imparcial, ao mesmo tempo explora o sensacionalismo e a desgraça, o sofrimento e o negativo da vida, dos fatos e da natureza.

14- Enquanto autoridades afirmam ser garantia de segurança e da ordem, ao mesmo tempo abusam do poder para subornar e explorar migrantes e trabalhadores.

15- Enfim, enquanto afirmamos que somos acolhedores e não temos preconceitos, ao mesmo tempo somos xenófobos e temos medo de nos relacionar com o diferente e dificilmente somos solidários para com os últimos que chegam. (Bulling, sites, violência, incapacidade de diálogo com as diferenças, atropelos de todo tipo)

Enquanto que antes os migrantes chegavam como verdadeiros heróis para construir a América e  tinham nome e endereço, hoje são chamados de  terroristas, traficantes, extra-comunitários, invasores, competidores, ilegais, escravos,  clandestinos, sazonal, temporário  e muitos vivem na rua ou permanentemente no caminho, enfim são vistos como os culpados da crise e dos problemas sociais.  A prova está na forma como se fala e se atua.

Diante de tanta loucura humana a natureza também enloquece nas suas formas de se expressar e se torna violenta contra todo tipo de vida existente sobre ela. (Vejam as mudanças climáticas).

2-EXPRESSÕES XENÓFOBAS, RESULTADO DA ESTUPIDEZ HUMANA

Ex: Nordestino não é gente, faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado  (Est. De direito da USP)

Dêem direito de voto para os nordestinos e afundem o País de quem trabalha pra sustentar os vagabundos que fazem filhos prá ganhar bolsa família.

Volta prá tua terra boliviano que o Brasil é para os brasileiros.

Morte aos médicos formados na Bolívia

São Paulo para os paulistas.

Eles sujam as cidades. Eles tiram o trabalho dos Brasileiros, Eles trazem doenças, Eles são sujos. Eles são culpados da crise em que vivemos. Eles são traficantes, terroristas e violentos...e nós que somos e o que fazemos?

Eles riem de mim porque sou diferente, eu dou risada deles porque são todos iguais.

3-CAUSAS DAS MIGRAÇÕES FORÇADAS

O Econômico (Concentração do capital e da riqueza produzida em base a exclusão das pessoas e dos resultados  da produção e das riquezas – pobreza, miséria, doença, abandono...

O Político (Guerras, ditaduras – causando milhões de refugiados)

O Ecológico ou Climático (reação violenta como resposta da violência humana contra o mesmo)

O sonho e a utopia (Todo ser humano é vocacionado para a superação e para ir sempre além)

3-CONSEQUENCIAS DAS MIGRAÇÕES FORÇADAS DE ALGUMA FORMA

NEGATIVAS

A  Xenofobia, o Racismo, a rejeição, o medo, o abandono

A droga, a violência  e todo tipo de exagero pessoal e familiar

A desintegração e traumas  familiares e pessoais

A  falta de comunicação, o isolamento pelo  idioma...

A exploração do corpo e do trabalho e as precárias condições nos ambientes de trabalho

O tráfico de humanos e falta de política públicas e sociais de inclusão

Clandestinidade e o atendimento desumano dos agentes sociais e autoridades pública e religiosas.

Igrejas fechadas aos imigrantes, ao diferente. Muros e fronteiras físicas, culturais e políticas

POSITIVA

Identidade fortalecida e enriquecida pela dinâmica da integração nos Países de destino.

Crescimento e desenvolvimento pelo trabalho e talento

Remessas e desenvolvimento nos locais de origem

Riqueza e beleza cultural nas suas diferentes expressões

Solidariedade e acolhida das pessoas, sociedade, Instituições, Igrejas...

Realização dos sonhos dos migrantes

A organização e participação dos próprios migrantes



VIDEO “MISSÃO NA ECOLOGIA”



4-RESPOSTAS DA PASTORAL DO MIGRANTE  DA IGREJA CATÓLICA

Acolhida e assistência imediata

Cultura (Fortalecimento cultural e integração)

Fé (Acolhida, festa e celebração)

Justiça (Mediação, orientação e defesa dos DD.HH, denuncia das causas injustas da migração forçadas)

Incidência Política (humanização das leis de migrações e luta por políticas publicas e de integração para a cidadania plena e universal)

“TODO VEZ QUE O MIGRANTE SE MOVE ELE MOVE A HISTORIA”

PERGUNTAS

1-Como superar as ações sociais, atitudes assistencialistas e a mentalidade de segurança nacional,  com a construção de políticas públicas e de migrações?

2-Como fazer leis migratórias em base aos Direitos Humanos Universais superando os limites das Soberanias e nacionalismos?

3-Como trabalhar numa ação integradora entre as dimensões:  legal, o cultural e o existencial,?

4-Como cuidar e se relacionar com o ser humano independentemente da situação de clandestinidade, de informalidade, ou de sua condição de migrante?

5-Como trabalhar numa ação coordenada, articulada e integrada entre os níveis: local, nacional e regional num atuar local porém com um pensar global?

6-Como alimentar o sonho e a utopia do migrante para que continue caminhando?

7-Como trabalhar pelas as grandes causas comuns, políticas, religiosas, culturais, sociais e ecológicas superando os interesses pequenos, pessoais e mesquinhos (guerra, corrupção, armas tráficos, exploração, consumismo...)

8-Quando os Sindicatos, Organismos Internacionais e Instituições vão contemplar em suas agendas o imenso número dos trabalhadores informais (Nacionais e Internacionais)?



São Paulo, 13 de junho de 2011

 Pe.  Mário Geremia CS

Coordenador do CPM-

 Centro Pastoral do Migrante











  




sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Haiti lágrimas e esperanças


Pierre Dieucel


Haiti lágrimas e esperanças

Haiti est un peuple qui souffre, pleure, rit, chante et qui danse en même temps (Paroles d´un poète haitien).
Haiti é um povo que sofre, chora, ri, canta e que dança ao mesmo tempo (Palavras de um poeta haitiano).
Por trás dessas palavras, o que está em jogo é toda a realidade presente no país caribenho. Como realidade mais marcante, notamos a eterna instabilidade política com crises repetidas presentes no país. Além disso, recentemente o país veio sofrendo um devastador terremoto que acabou com a vida de milhões de pessoas e outros danos materiais. E mais ainda, como se não bastasse, uma epidemia atacou os mais pobres do país, acrescendo ainda mais vítimas. Essas e outras coisas fazem com que digamos: Haiti é um povo que sofre, chora, ri, canta e que dança ao mesmo tempo.
O problema do Haiti, como sempre tenho repetido, não é nada mais do que um problema político-social, no qual derivam os vários problemas existentes no país, agravados pelo  maldito terremoto. Os principais responsáveis do empobrecimento do Haiti são alguns políticos do país e o grande interesse do imperialismo. Infelizmente, muita gente não se dá conta desses problemas escondidos. Dito isso, a solução desses problemas escondidos deve ser buscada ou resolvida a partir dos haitianos que exercem a política no país. Basta uma conscientização tanto no território nacional como internacional! Infelizmente fecham os olhos à realidade.
Devido a esses problemas, sobretudo, ao devastador terremoto, muitas das vítimas chegaram ao Brasil, ao “país do rei Pelé”, desejando recomeçar a vida. São vistos como: Os Novos Rostos Da Imigração Para o Brasil. Ou seja, a recente comunidade haitiana no Brasil, vista como primeira imigração haitiana chegando ao país. O Brasil desde início de sua história costumado a acolher imigrantes. São estes (os imigrantes), e outros vindos de diferentes estados do país, sobretudo os nordestinos (do Nordeste), que construíram o Brasil. Assim, Brasil é um país que está sendo cada vez mais construído por migrantes, e também dando espaço cada vez mais a estes.
Agora Brasil conta com a recém pequena comunidade haitiana para participar no processo do desenvolvimento do país.
Qual será o futuro desses homens e mulheres imigrantes haitianos no Brasil?
Uma história a seguir!

Hoje, a onda migratória haitiana para o Brasil enfraquece, para não dizer que acabou. Só que eles, os migrantes haitianos, procuram as grandes cidades, tal como São Paulo para que possam ter acesso a um melhor trabalho e um melhor salário. Que Deus abençoe esta pátria de migrantes e imigrantes, “terra que lhes dá o pão”, na digna luta por sobrevivência!

Palavras de um migrante haitiano:
Saí do Haiti sem saber em que país que eu queria atingir. Só estava deixando que o avião e o vento me levassem. No avião, veio-me na cabeça “Guiana Francesa”. Acabei desistindo. Em Tabatinga, passei tantas decepções e humilhações na minha vida que  até chorei. Todo o dinheiro que eu tinha, foi no aluguel de casa, lá em Tabatinga. Para ganhar moedinhas, eu fui obrigado a vender coisinhas. Então, antes de receber meu documento, o protocolo, que demorou quase três meses, o vento continuou me levando até  chegar à capital amazonense, Manaus. Lá, eu fui acolhido. Deram-me de comer e lugar para dormir. Eu tinha muito medo quando vi muita gente dormindo na rua, em pleno frio. Porque eu tinha medo de dormir assim num país que eu ainda não conhecia. Graças a Deus e a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Padroeira do Haiti, que continuam estando comigo, não acabei ficando nenhum dia na rua. Andei pelas ruas à procura de serviços.  A partir daí eu comecei a sonhar com a vida. Mas não consegui me esquecer das calamidades que passei no meu paraíso Haiti destruído. Até agora, o meu coração está em luto. Ninguém de nós conseguirá esquecer aquela tarde do 12 de janeiro de 2010 (Depoimento recolhido por Pierre Dieucel).


terça-feira, 18 de outubro de 2011

As mudanças climáticas obrigam a vinda de Novos Rostos para o Brasil

As mudanças climáticas obrigam a vinda de Novos Rostos para o Brasil
Nesses últimos anos, um dos fenômenos que vem sendo muito debatido em Universidades, Institutos Teológicos, Meios de Comunicação e em outras Instituições, é a temática “mudanças climáticas”. Esse fenômeno, além de provocar muitas vítimas, danos e desastres, cria no meio das autoridades preocupações e desafios. Esse fenômeno, além das conseqüências provocadas, vem aumentando a mobilidade humana, especialmente, a migração de vítimas de desastres naturais ou migrantes ambientais.
O ano de 2010 deu início com uma série de desastres naturais em muitos países, deixando milhões de vítimas. Países como: Haiti (Porto Príncipe e outras cidades), Brasil (Rio de Janeiro e Santa Catarina), Chile, Japão, etc.
Diante dessa realidade os sobreviventes dialogam consigo mesmo: sou vítima de desastres naturais, tudo que tinha, desapareceu; A situação agora piorou; meu país não tem recursos suficientes depois do abalo, quero trabalhar, mas não tem como. Nesse caso que é que faço? Para onde vou? Que espero?
Sendo assim, devido a esses acontecimentos e às vezes outros casos, tais como: religiosos, culturais, econômicos e político, se percebe que certas pessoas foram obrigadas a deixar seus próprios países, colocando-se a caminho em busca de melhores condições de vida. Diante desse questionamento, muitas vezes o migrante se vê obrigado a caminhar em outros lugares, sem saber às vezes os desafios que lhe esperam.
Um exemplo bem claro é o artigo intitulado “Os Novos Rostos Da Imigração Para o Brasil”. Esse artigo pelo seu título e, talvez pelo seu conteúdo também, chama muita a atenção; e até pode manifestar a curiosidade para saber quem são Os Rostos da Imigração para o Brasil.
A quem estiver interessado, para maiores informações sobre o artigo, basta digitar o título no Google, ou seja, ir ao blog: http://www.dieucel.blogspot.com
Pierre Dieucel, Estudante em Teologia

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Pablo Richard, biblista e teólogo . São suas impressões do Haiti depois do maldito terremoto.


02.09.11 - Haiti

Memória de uma Tragédia e Esperança

Pablo Richard

Teólogo e biblista chileno

Adital

Tradução: ADITAL

HAITI: Terremoto 12 de janeiro de 2010
Partilho minha experiência no Haiti, de 21 a 31 de agosto de 2011.
Pablo Richard, 2 de setembro de 2011.

Realidades

Um país com 10 milhões de habitantes (2 milhões no exterior), agora com a memória inapagável de 250.000 mortos (aproximadamente) e um milhão e meio de atingidos gravemente pelo terremoto (aproximadamente).

Imaginam como pode ter sido um enterro de 250.000 pessoas? Quantos caminhões carregados de cadáveres enterrados em fossas profundas escavadas com máquinas gigantescas.

Em Porto Príncipe (epicentro) a destruição é quase total. A Casa de Governo e quase todos os edifícios públicos destruídos. Incontáveis casas de família, negócios, total ou parcialmente destruídos. 84 acampamentos de "emergência”, sendo o maior de todos com 20.000 pessoas. Acampamentos situados nos espaços livres dentro da cidade, em praças e terrenos do Estado e em todos os lugares vazios. Os serviços de água comuns, serviços higiênicos provisórios.

Edifícios da Igreja destruídos

Catedral da capital, Porto Príncipe, destruída totalmente.
Cúria arcebispal, afundada.
Cifor: Centro Intercongregacional de Formação de religiosos e religiosas
Destruição total ou parcial de 90% das paróquias em Porto Príncipe. Dado curioso: as cruzes construídas fora e em frente às Igrejas não caíram.
Seminários diocesanos destruídos.
Casas de religiosas e religiosos destruídos.
Villa Manresa, destruída.
Casa dos Padres da Santa Cruz, metade destruída (aí me alojei quando vim ao Haiti um mês antes do terremoto).

Mortes no âmbito da Igreja institucional

Dom Serge Miot, arcebispo de Porto Príncipe
Bispo Auxiliar, Dom Benoit
Estudantes do Cifor: 16 mortos, entre eles 10 Montfornianos, no desabamento total do Cifor.
Sacerdotes diocesanos: 4
Filhas de La Salle: 20
Irmãs Filhas de Maria: 35, em sua maioria, anciãs
Irmãs de Santa Teresa: 5
Muitos não morreram; porém, ficaram afetados severamente e para sempre.

Análise da realidade global

Desde o terremoto não se vê nenhuma reconstrução do país, especialmente em Porto Príncipe, onde foi o epicentro.

Os países que mais colaboraram são o Brasil, a Venezuela (com combustível, indispensável para gerar eletricidade), Cuba (especialmente com ajuda médica), Argentina e Chile. A ajuda é, fundamentalmente, para responder às emergências; porém, se torna ineficaz se não há um plano mínimo de desenvolvimento. As grandes potências do mundo rico não têm vontade real de levantar o Haiti. Muitos pensam que estão experimentando no Haiti a possibilidade de fazer desaparecer povos pobres no mundo. Pode-se estar estudando a capacidade de resistência de um povo. Busca-se saber se é possível destruir a memória em âmbito mundial das grandes catástrofes no mundo pobre.

O Presidente da República Martely assumiu seu cargo no dia 16 de março de 2011; porém, todavia não conseguiu construir seu governo, por oposição das Câmaras Legislativas. Essa falta de condução política torna mais ineficaz a ajuda internacional e a reconstrução do país.

Há umas 10 mil ONGs (alguns calculam que, realmente, existem umas 6 mil) que são muito díspares. Não têm muita eficácia, além a de atender emergências.

Há críticas parciais de corrupção/ dinheiro que não chega ou que é mal utilizado.

Organismos civis internacionais: Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteiras, Centro de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, PNUD, OIM e muitos outros têm tido uma presença e atividade comprometida com a emergência e um desenvolvimento incipiente.

Minustah: Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti – Exerce uma função de controle que desmobiliza e atemoriza o povo. Cria insegurança e destrói uma autoestima popular. É uma presença incômoda, que as pessoas não amam. Em uma parede li uma grande pichação que dizia "Minustah e Cólera são dois irmãos gêmeos”.

Grande parte do apoio internacional ainda não chegou ao Haiti.

Não se investe em desenvolvimento; o país não se levanta e vive em estado de emergência até o dia de hoje. O país está cada dia mais pobre e cresce o sofrimento do povo. O desemprego é de 80% ou mais. Porém, muitos desempregados trabalham para resolver situações de sobrevivência, que se reduz ao mercado informal, de rua; mercado onde se vendem todas as coisas usadas possíveis para qualquer coisa. O mercado de rua bloqueia veredas e ruas. É um mercado de sobrevivência desesperada. Assegura a vida de cada dia. O povo haitiano, em geral, é muito trabalhador, pacífico e não tão corrompido como o de países desenvolvidos.

Situação eclesial global

A Conferência Nacional dos Bispos está relativamente desarticulada. Há um vazio profético e pastoral.

Há um clima de medo de comprometer-se nos assuntos nacionais e internacionais de emergência e de ajuda ao desenvolvimento.

Multiplicam-se as "seitas”, sem nenhuma relação com as Igrejas já constituídas em âmbito nacional. Em muitos povoados rurais e bairros das cidades há mais ou menos 10 igrejas sectárias para cada igreja católica. Isso confunde muito e as "seitas” tiram muito dinheiro do povo em troca de milagres e exaltações carismáticas. Com certeza, há alguns sacerdotes comprometidos material e espiritualmente com o povo.

Primeiro Encontro das Escolas Bíblicas do Haiti

Algumas referências que resumi de um relatório de Marta Boiocchi (do Movimento claretiano), que reflete a situação eclesial e espiritual no Haiti, de consequências muito positivas a curto e largo prazo. De 22 a 26 de agosto, realizou-se esse primeiro encontro sobretudo das escolas bíblicas, de outros movimentos e das Comunidades de Base. Estiveram presentes 122 alunos de 6 escolas: Mons. Romero (primeira e segunda promoção); Enrique Angelelli (para jovens e adolescentes de Kazal); Martin Luther King (escola para irmãs e irmãos protestantes, também de Kazal); Berthony Pierre, uma escola paroquial de Lazil (Diocese de Nippes); Bárbara Maix, uma escola diocesana (Diocese de Jeremi) e, claro, "Por la Ruta de la Palabra”, a escola criada pelos claretianos para fortalecer a animação bíblica de toda a pastoral. Também estiveram presentes representantes da coordenação nacional das CEBs, que se sentiram motivados para aprofundar a formação bíblica das comunidades e para fortalecer sua Equipo Móvil.

Lema do Encontro:

"NÃO PERDEMOS A ESPERANÇA; QUEREMOS AJUDAR A RECONSTRUIR O HAITI COM A FORÇA DO EVANGELHO”.

O bispo da Diocese de Jeremi. Dom Dekòz (SJ), abriu o encontro com uma missa participada, onde nos alentou e agradeceu por ter escolhido sua diocese como sede desse primeiro encontro nacional. O lugar do encontro está a 10 horas de ida e outras tantas de regresso, em carros poderosos.

Meu tema foi: "O caminho do Espírito Santo no livro dos Atos dos Apóstolos, nas origens do Cristianismo e hoje no Haiti”.

O livro dos Atos dos Apóstolos nos mostra o caminho do Espírito não somente como um dom pessoal, mas como a força de Deus dada aos discípulos e discípulas de Jesus, para romper as barreiras e muros que impedem que a Boa Nova chegue a todas as pessoas, povos, culturas. OS discípulos frente ao muro, porém, também os que estão atrás do muro, o rompem com a força do Espírito. Assim se fez o caminho desde Jerusalém até os confins da terra; desde o Haiti até os confins do Mundo Pobre e Esquecido.

Várias irmãs religiosas que coordenam a Escola na Diocese de Jeremi e os padres Petyèl e Ternier estiveram acompanhando. A ausência de outros sacerdotes e religiosas nos mostra que o caminho da Palavra terá como sujeitos e destinatários fundamentalmente as leigas e leigos.

Como projeção desse primeiro encontro foi proposta a formação de uma Comissão Nacional Ecumênica das Escolas Bíblicas, os coordenadores das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e outras redes bíblicas. O Serviço Bíblico Claret do Haiti terá a missão e o desafio de continuar preparando materiais e acompanhando às equipes que vão surgindo.

Esse encontro marca um antes e um depois na Igreja e no povo do Haiti. Para o padre Petyèl, fundador dessa experiência, mudou sua vida e o sentido de sua missão; para Gaston Kerby, pastor da Igreja Batista, foi o encontro mais significativo nos 21 anos que leva trabalhando no movimento bíblico do Haiti. Para mim foi uma das experiências mais fortes nesses 20 anos circulando pela América Central e Caribe. Com certeza, se sustentarmos com constância e exigência esse caminho e rompermos os muros que sejam necessários, dentro de 10 anos colheremos os frutos preciosos de vida evangélica na Igreja e na sociedade do Haiti. Demonstramos que o terremoto não derrotou o Evangelho e a força demolidora do Espírito Santo.

Tem um significado extraordinário que a esperança e a decisão de reconstruir o Haiti se iniciem na Igreja Povo de Deus, que nasce do Movimento Bíblico Popular e das CEBs em âmbito nacional. É a primeira reunião desse tipo depois do terremoto e envolvendo gente de todo o país.